É muito difícil não se render aos
encantos das cidades fluminenses. No rol de inúmeros locais dignos de
visita está Paraty com sua importância histórica inegável e seu charme.
Todavia conforme se anda pela cidade, o olhar atento capta um aspecto de
sua personalidade que turva um pouco de sua beleza. Lá, inúmeros cães
zanzam pelas ruas de pedra seguindo seu instinto natural de comida. O
local preferido desses sem-teto é a Praça Monsenhor Hélio Pires - em
frente à Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios - onde podem
conseguir restos de comida dos vários restaurantes e bares instalados
ali.
Visando minimizar esse problema, a nova prefeitura poderia fazer uma campanha sobre posse responsável a fim de que seus habitantes se apropriem da importância da castração, além de não abandonarem seus cães ao relento. Acaso o poder público não tenha interesse na pauta, alguma ONG fluminense ligada a causa animal poderia tentar uma ação mais eficaz em Paraty.
Mas não são apenas esses animais de pequeno porte que sofrem. Os cavalos que puxam as charretes nos passeios que alegram e inteiram os turistas sobre a história da cidade estão muito descuidados e perambulam cansados. O que deveria ser um visão alegre e saudosista de meio de transporte se transforma em decepção - ningúem fica com vontade sequer de tocá-los.
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Foto/Rodrigo Soldon |
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Foto/Rodrigo Soldon |
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Para uma cidade que vive do turismo, os detalhes de como se apresenta
são fundamentais. Não basta aspirar a ser tombada como patrimônio da
Unesco, precisa melhorar essa relação com os animais. De tão ruim que
está, faz lembrar um aspecto de sua história contemporânea que é contado
nos passeios de escuna. Quando o guia explica o porquê de uma das ilhas
de Paraty receber o nome de Ilha dos Cachorros, ele conta: "Tem esse
nome por que um prefeito sem-coração da década de 40 decidiu recolher
todos os cães da cidade, levar para a ilha e abandoná-los à morte lá". É
hora de Paraty pensar melhor no seu futuro e que exemplo quer deixar
para os próximos cem anos.